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[ 23/01/2007 ]

 Livro |GERALDO DE BARROS - SOBRAS + FOTOFORMAS

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Artista responsável por mudar os rumos da fotografia brasileira na década de 50 para inscrevê-la definitivamente na modernidade, além de ser um dos precursores do movimento concretista no Brasil, Geraldo de Barros finalmente ganha uma publicação à altura de sua relevância. Com o lançamento da caixa Geraldo de Barros – Sobras + Fotoformas, a Cosac Naify, que nos últimos anos tem dado especial atenção à área da fotografia, preenche uma importante lacuna no mercado editorial brasileiro.

A caixa, patrocinada pela McKinsey & Company e Galeria Brito Cimino, contém dois volumes: Fotoformas, uma versão fac-similar da edição do catálogo da exposição “Geraldo de Barros, Peintre et Photographe” realizada em 1993, no Musée de l´Elysée, em Lausanne, na França, e a inédita Sobras, com colagens e montagens fotográficas realizadas nos últimos anos de vida do artista.

As “Fotoformas” foram realizadas entre 1946 e 1951. Ao buscar a síntese da forma, abstraindo o referente, a série trouxe embutida o germe das vanguardas estéticas que viria impulsionar definitivamente a linguagem fotográfica praticada no Brasil até então. Barros se filiou ao Foto Cine Clube Bandeirante em 1949. Logo entrou em choque com a fotografia de inspiração pictorialista, pautada pelos padrões da pintura, que ainda era praticada pelos clubistas.

As pesquisas de Barros buscavam justamente livrar a fotografia desta representação objetiva e pouco inspirada propondo, em seu lugar, uma abordagem da qual emergisse uma especificidade mais clara da trama fotográfica. A ordem era transgredir a realidade, problematizar a perspectiva e tirar do aparelho fotográfico o poder de determinação do resultado final da imagem.

Múltiplas exposições, recortes e riscos sobre o negativo e a sublimação do contraste entre o preto e o branco, entre outras experimentações, levaram o artista a ferir definitivamente a idéia dominante da fotografia como mimese do real.  Esse novo olhar, que já se desenhava com desenvoltura na Europa após o surgimento do dadaísmo e do surrealismo, flertava com a subjetividade e se importava muito mais com a noção de ritmo dos elementos que a constituíam e os jogos entre formas e volumes. Suas “Fotoformas”, portanto, inauguraram a fotografia moderna no Brasil.

Em texto que integra o volume Fotoformas, o artista escreve: “Acredito que é no ‘erro’, na exploração e domínio do acaso, que reside a criação fotográfica. Me preocupei em conhecer a técnica apenas o suficiente para me expressar, sem me deixar levar por excessivos virtuosismos”. E como se intuisse o momento atual da fotografia, sentencia: “Acredito que a exagerada sofisticação técnica, o culto da perfeição técnica, leva a um empobrecimento dos resultados, da imaginação e da criatividade, o que é negativo para a arte fotográfica”.

Essa nova edição de Fotoformas, que a Cosac Naify traz a público, manteve as características da original e foi acrescida de uma fortuna crítica com textos de Pietro Maria Bardi, Paulo Herkenhoff, Adon Peres, Radhá Abramo, Eugen Gomringer e Nelson Aguilar.

O volume Sobras reúne as obras feitas pelo artista quando ele retomou a fotografia quase 30 anos depois. Com a saúde debilitada e impossibilitado de trabalhar na fábrica de móveis Hobjeto, fundada por ele em 1964, Barros reencontrou uma série de fotos realizadas por ele nos anos 40 e 50. Com a ajuda de uma assistente, se dedicou com afinco a criar colagens e montagens. A junção de duas ou mais imagens e o recorte de parte das fotografias resultaram numa abordagem onírica sobre a passagem do tempo e o registro fotográfico.

As imagens que ele retrabalha nesta série são, na maioria, registro simples do cotidiano, do entorno familiar. “Se só guardamos lembranças dos momentos tristes ou alegres, enlouquecemos. Felizmente existem os restos”, escreveu Barros.

Sobras tem texto de apresentação e organização do crítico Rubens Fernandes Junior, que também foi o curador da mostra “(As)simetrias”, uma retrospectiva das obras de Barros, realizada na galeria Brito Cimino entre dezembro de 2005 e março de 2006. Para o livro, Fernandes selecionou 41 “Sobras”, 127 obras montadas em vidros e 147 colagens. Uma cronologia do artista escrita por Michel Favre encerra o volume.

Geraldo de Barros Sobras + Fotoformas surge como peça fundamental para reconstituir a trajetória da história da fotografia e da arte em geral no Brasil, por meio de um de seus artistas mais iconoclastas e vibrantes.

Sobre o artista

Geraldo de Barros nasceu na cidade de Xavantes (SP), em 1923. Aos 23 anos começou a estudar desenho e pintura com o pintor Clóvis Graciano e, em seguida, com o artista Takaoka. Em 1948 participou com outros artistas do Grupo XV, no qual exercitou a pintura de influência expressionista. Por essa época adquiriu uma câmera Rolleiflex 1939 e começou a descobrir as possibilidades expressivas da fotografia.

Em 1949 ingressou no Foto Cine Clube Bandeirante. Suas pesquisas formais chocaram os integrantes do Bandeirante, que ainda cultivavam a corrente pictórica. No mesmo ano foi convidado por Pietro Maria Bardi para organizar o laboratório fotográfico do Masp, recém inaugurado. No mesmo lugar, um ano depois, expôs a série “Fotoformas”. A repercussão do trabalho o fez ganhar uma bolsa para estudar na Europa, onde decidiu retomar suas pesquisas com o desenho e a pintura, deixando a fotografia de lado.

Em 1952, de volta ao Brasil, participou da criação do movimento Ruptura, marco do início da arte concreta no Brasil. A aplicação de seus estudos da forma em novas estruturas o levou, em 1964, a fundar a loja de móveis Hobjeto, pela qual arrebatou diversos prêmios como designer.

Apenas em 1979 Barros retomou o contato com a fotografia. Após sofrer a primeira de quatro isquemias cerebrais que o fizeram perder parte dos movimentos, reencontra fotografias suas feitas nas décadas de 40 e 50 e passa a realizar a série “Sobras”, intervindo sobre as cópias com recortes para criar diversos tipos de colagens. “Sobras” foi o projeto que o manteve estimulado até sua morte em abril de 1998.

Fotografia na Cosac Naify

OTTO STUPAKOFF, Rubens Fernandes Junior (org.)
Notas de viagem, Thomaz Farkas
A vulnerabilidade do ser, Claudia Andujar
Fotografia moderna no Brasil, Helouise Costa
e Renato Rodrigues da Silva
rosângela rennó, Coleção FotoPortátil

 
Texto fornecido por:
Ana Lima
analima@cosacnaify.com.br
11 3218-1466
Cecilia do Val

imprensa@cosacnaify.com.br
11 3218-1448

 

Geraldo de Barros Sobras + Fotoformas
Organização: Rubens Fernandes Junior
Editora: Cosacnaify

CAIXA COM 2 LIVROS:

Sobras
Edição bilíngue português-inglês
Formato: 21 x 21 cm, capa dura
Ilustrações: 123, cor e P&B
Páginas: 204

Fotoformas
Formato: 21 x 21 cm, capa dura,
Páginas:180
Ilustrações: 108 fotos P&B
Encarte em inglês com 28 páginas

Preço: R$ 140,00
ISBN: 857503-502-9

Patrocíno:
Mckinsey & Company
Galeria Brito Cimino

 

 
   
 
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