
Há seis anos atrás, quando o fotografo Adriano Gambarini e o biólogo Rogerio Cunha de Paula percorriam os campos da Serra da Canastra para documentar o Lobo-guará, surgiu a idéia de se fazer um livro sobre a região. O pesquisador detinha todo o conhecimento ambiental de anos de pesquisa; o fotógrafo, a atração por uma luz natural fantástica e a curiosidade em descobrir meandros de um cenário misterioso. Mas a proposta dos dois não era abordar apenas o meio ambiente; a Serra da Canastra é bem mais que isto, e nela continha uma historia humana, uma cultura impar necessária para este projeto audacioso. Foi quando a jornalista Lais Duarte, que já tinha percorrido a região e registrado em reportagens justamente o povo, suas historias e tradições, veio para completar um trio que se fundia no mesmo ideal: traduzir em palavras e imagens uma região abençoada por características únicas no quesito ambiental, decorada por pessoas e modos de vida contagiantes. Infindáveis viagens em diferentes épocas, de um fotografo para captar campos e vales, flores e animais, festas e pessoas; um olhar atento e incessante de um pesquisador que decifra a resposta; conversas ao pé do fogão a lenha de uma jornalista que sabe falar a língua do povo com lendários personagens, e a cada prosa, um novo ‘causo’.
E neste caminho, 200 paginas num livro de qualidade grafica impecável são permeadas por histórias, estudos, descobertas científicas e lendas humanas, cuidadosamente ilustradas com mais de 140 fotografias inéditas.
Documentar e escrever sobre um respectivo lugar não é de todo difícil. Mas transcrever para um número determinado de paginas a essência de uma cultura secular, traduzir detalhes de uma natureza complexa e mutante em palavras e imagens é uma proposta que apenas os que verdadeiramente crêem, conseguem.