Tema: Exposição comemorativa aos 105 anos do Mercado Municipal de Ribeirão Preto
Abertura: 12/09/2005
Local: Mercado Municipal de Ribeirão Preto
...há 105 anos.
Mercado Municipal de Ribeirão Preto
"Não somente pela variedade de produtos alimentares perecíveis, além de outros, mas também, pela sua localização estratégica no meio das cidades, os mercados municipais constituem-se como um equipamento de referência sócio-econômica forte dos centros urbanos. Sua preservação e dinamização, sob o ponto de vista político e técnico, permitem uma inovação e manutenção do espaço físico além do controle da degradação do entorno. Desde 1900 Ribeirão Preto pode vivenciar essa experiência através de seu Mercado Municipal, que começa a ser construído em 1899 - modelo de arquitetura grandiosa para a época - que logo se tornou um marco para a cidade, assim como seu incêndio em outubro de 1942, tornando-o inabitável. Em 1956 surge a proposta de construção de um novo mercado, consolidando-se em 28 de setembro de 1958, com a inauguração do atual edifício pelo então Prefeito Costábile Romano; projetado pelo engenheiro Jaime Zeiger e com escultura do artista plástico Bassano Vaccarini.
No intuito de preservar a importância de um monumento tão representativo para a história de Ribeirão Preto, o grupo Amigos da Fotografia, em parceria com o Mercado Municipal, organizaram uma exposição de fotos, no último dia 12, em comemoração aos 105 anos do edifício, que conta com a participação de doze fotógrafos e textos poéticos de Antônio Carlos Tórtoro, que podem ser conferidos até o dia 30 de setembro e também no site da Confederação Brasileira de Fotografia (http://www.confoto.art.br)."
Arq. Urb. Edson Salerno Junior
Arquiteto Consultor do Grupo Amigos da Fotografia
Tenda de concreto armado,
expondo as curvas da lona de amianto:
seu grito é silente, quase nulo.
Sem a proteção de qualquer rede,
seu futuro é arriscado,
e sua senda é embalada
pelo aleatório transcorrer do tempo
depois que ressurgiu qual Fênix,
das cinzas do passado.
Criança
Só a criança
tem tempo para o fotógrafo,
o resto é risco,
é movimento
é trânsito.
Não há espaço para se captar o outro,
o semelhante: homem ou mulher,
naquele instante
e nem em outro qualquer.
Transmutação
Nos braços cruzados,
o gesto de proteção
diante das sombras.
No lado oposto, alguém busca,
com o olhar fixo na luz,
e com certa insistência,
encontrar a chave,
que poderá transmutar o negativo
de sua existência.
Explosão
A explosão do ir e vir
é atordoante.
Os corpos seguem tão rápidos
que parecem deixar seus espectros
pelos caminhos.
Sozinhos na multidão,
na confusão se locupletam
encontros e desencontros,
convivem e se completam:
sob luzes e sombras da solidão.
Anciã
Temos todos um lado claro
e um lado escuro.
A anciã ao centro observa
o transitar incessante e obscuro,
com a experiência de vida
de quem, com certeza,
conheceu a sombra
e, agora, traz nas cãs, a luz.
Ritual
Alguém observa , do alto,
o ritual sagrado de um mercadão.
São olhos superiores
de uma sombra que, a seu modo,
ilumina tanto quanto a luz.
É uma forma de oração
que enfatiza e define
o que requer correção.
Brahma
Uma Brahma no fim do túnel:
é só o que resta.
A vida se apresenta
e a gente se entrega aos seus apelos.
É um comprar e vender ilusões,
sonhos e pesadelos,
como se vivêssemos em mercadões:
até o encontro de outra galeria
de luz e alegria.
Amarcord
Amarcord !!!
Bexigas do meu tempo de criança
facilmente infláveis !
Os corpos são lamparinas
que contêm chamas: almas.
Chamas e almas diferentes.
Universos únicos,
indiferentes ao chamado exterior.
Parecem conhecer o fato
de que a luz é fenômeno interior.
Fellini
Andar pelo mercadão,
é viver entre luzes e sombras
de seres quase imortais de Fellini,
que vagam intensamente
entre sonhos e realidades..
Nas margens dos rios-rua,
a criança vai se molhar,
e o idoso foi se banhar,
enquanto a vida continua.
República das Bicicletas
Dentro de um mercado,
o assunto é eclético:
Mulheres, amores,
futebol e política.
São conversas de cunho geral,
Crônicas vivas, indiscretas.
Enquanto isso, do lado de fora,
a condução espera:
República de Bicicletas.
Pressa no Palco
O mercado sempre foi,
“um mundo sem igual
onde todos representam bem ou mal,
onde a farsa do palhaço é natural”.
É um circo,
um palco de comércio e ilusão,
onde a pressa e a indiferença
enredam incógnita multidão.