


A fotografia foi anunciada ao mundo, oficialmente ,em Paris, na Academia de Ciências da França , no dia 19 de agosto de 1839, consagrando o processo desenvolvido por Louis M. Daguérre. Pesquisadores existiam em outros locais, que também haviam chegado a resultados satisfatórios, mas não tiveram os “padrinhos” que Daguérre teve. Entre eles, Hércules Florence que, no Brasil, na então pequenina Vila de São Carlos(hoje a cidade de Campinas, SP), comprovadamente já realizara fotografias em janeiro de 1833 e foi o criador , em 1832, do vocábulo “Photographie” ,definidor do processo de impressão de imagens pela ação da luz.
O fato é que o invento de Daguérre conquistou êxito mundial e rapidamente se tornou conhecido em todo o mundo. No Brasil , chegou em Janeiro de 1840 pelas mãos do Abade Compte , que o demostrou no Rio de Janeiro . Com a divulgação do processo e sua repercussão popular , logo surgiram nos países da Europa e nos Estados Unidos da América, milhares de praticantes que em seguida se reuniriam em associações fotográficas onde expunham os resultados de suas pesquisas procurando aperfeiçoar o processo e discutiam as várias implicações técnico - artísticas que ele suscitava.
Isso não aconteceu no Brasil . A divulgação da fotografia aqui, ficou restrita a poucos profissionais - a maioria dos quais estrangeiros que , aqui chegando , nela encontraram um novo e promissor meio de vida e , por razões óbvias ,procuravam guardar para si os “segredos” da nova arte . Muito pouco se conhece até hoje , de amadores que naqueles primeiros anos teriam praticado a daguerreotipia e os processos subsequentes. O Imperador d. Pedro II teria sido um dos primeiros.
Enquanto nos outros países já se contavam as centenas as sociedades fotográficas (p.ex.Royal Photographic Soc.1853 em Londres, Societé Française de Photographie 1854 em Paris , Societá Fotográfica Subalpina 1889 em Turim), no Brasil , a primeira de que se tem notícia positiva aconteceu em Porto Alegre por volta de 1918 , onde elementos da colônia alemã fundaram o “Photo Club Helios”. Segundo alguns, tentativa anterior ocorrido no Rio de Janeiro , cerca de 1910 , com o “Photo Club do Rio de Janeiro”, mas dele praticamente nada se sabe. Movimento mais consistente surgiu , ainda no Rio de Janeiro , em 1923, com o “Photo Clube Brasileiro ”que reuniu os mais destacados amadores e profissionais do então Distrito Federal e encetou profícuo trabalho de divulgação da Fotografia artística , publicando inclusive excelente revista.
Em São Paulo , a primeira tentativa de organização de um clube fotográfico ocorreu em 1926.A “Sociedade Paulista de Photographia ” ,entretanto , não durou muito ; extinguiu-se em 1929 , após a realização de sua primeira exposição pública , tais as dificuldades encontradas para se manter. Chegara a editar também uma ótima revista: “Sombras e Luzes”. Mas , ainda não havia ambiente para a fotografia - arte. Poucos acreditavam nela e os críticos de arte não a admitiam como tal.
Somente 10 anos depois destacados aficionados paulistanos voltaram a pensar em nova sociedade. Eles costumavam reunir-se na “Photo-Dominadora ” ,uma loja de artigos fotográficos na Rua São Bento , de propriedade de Antônio Gomes de Oliveira e Lourival Bastos Cordeiro, eles próprios adiantados praticantes da fotografia. Um desses freqüentadores era José Medina , que pelas ondas da P.R.K.9 - Radio Difusora, mantinha um programa diário sobre fotografia - “Instantâneos no Ar”- no qual dava conselhos , anunciava as novidades, comentava as fotos enviadas por ouvintes e promovia concursos. Nas reuniões vespertinas na “loja do Gomes ”,esse aficionados mostravam e discutiam suas fotos e experiências , as câmaras , objetivas , etc...Até que um dia ,não se sabe de quem partiu a idéia ,decidiram fundar um novo foto-clube. Abriram-se listas de adesões e ao atingir o número considerado mínimo necessário -50 aderentes - convocou-se a Assembléia Geral de Fundação , para a noite de 28 de Abril de 1939, no salão do Portugal Clube , no Edifício Martinelli , gentilmente cedido.
Compareceram e assinaram a ata de fundação 32: Antônio Gomes de Oliveira,José Donatti,Eugênio Fonseca Filho, Benedito J. Duarte ,Alfredo Penteado Filho, Waldomiro Moretti,Luiz F.Lima,Victor Caccurri Jr. ,José Medina,Lourival Bastos Cordeiro, Jorge Backer,Eduardo de S.Thiago, Júlio S.Toledo, Joaquim R. Borges, Simon Kessel, José Louzada F. amargo, Jorge Siqueira Silva, Francisco B.M.Ferreira, Edgar Flacquer, Antonio Ferrero, José A. Vergareche, João A. Giuzio, Mário Caccurri, Aldo Dacomo, Dyano Castanho, José M.Francisco, Waldomiro Ract, José V.E.Yalenti ,Gelmindo Poltronieri e Jorge Bittar.
Os estatutos foram aprovados , e nas primeiras horas do dia 29 nasceu o Foto Clube Bandeirante, denominação sugerida, conforme alguns, por José Donati e inspirada nos antigos desbravadores do Brasil, pois previa-se que a novel entidade também deveria desbravar um terreno artistico-cultural ainda inóspito. Em seguida elegeu-se a primeira Diretoria: Presidente, Alfredo Penteado Filho; Vice - Presidente Benedito J.Duarte;1º Secretário, José Donati;2º Secretário , Victor Caccurri Jr.; 1º Tesoureiro , Wladomiro Moretti;2º Tesoureiro, Luís F.Lima; Diretor Técnico, José Medina ;Diretor de publicidade , Eugenio Fonseca Filho e Diretor de Excursões, José V.E. Yalenti. O “Conselho de Fundadores” ficou constituido por Antônio Gomes de Oliveira , Lourival Bastos Cordeiro, Jorge Backer, Eduardo de S. Thiago, Júlio de Toledo ,Francisco B.M.Ferreira, Joaquim R.Borges, Edgar Flacquer , José Louzada F. Camargo e Jorge Siqueira Silva. Nos dias seguintes, os demais assinantes da lista de adesões confirmaram sua inscrição.
E o clube iniciou suas atividades , instalando sua sede em três salas alugadas ali mesmo , no 22º andar do Edifício Martinelli , por 700$000 ( Setecentos Mil reis) mensais. Os propósitos eram generosos e a vontade férrea em não deixar que ressurgissem os problemas que fizeram perecer a entidade anterior. Já a nove de Julho de 1939 o Clube realizou sua primeira excursão fotográfica , à localidade de Guararema , e o seu primeiro concurso interno , com fotos colhidas durante o passeio. Foram vencedores desse primeiro concurso: 1º lugar, Randolfo Homem de Mello( “Pereiras”);2º lugar, Lourival Bastos Cordeiro (Faina Diária) e em 3º lugar, José V.E. Yalenti ( Outono) .
As dificuldades não se fizeram esperar e bastante sérias: o mundo se convulsionou na Segunda Grande Guerra Mundial. As conseqüências logo se fizeram sentir: além das restrições à importação de material fotográfico - a industria nacional era ainda incipiente - a própria prática da fotografia foi proibida em muitos lugares. Temeu-se pelo futuro do clube. Mas os bandeirantes desta vez não se deixaram vencer. Em setembro de 1939 o Conselho de Fundadores assumiu a direção do clube e tomou várias medidas administrativas , entre elas a mudança da sede para outro local, menor. Em fevereiro de 1940 o clube transferiu-se para duas pequenas salas ,à Rua São Bento,357 1º andar , prédio em cujo pavimento térreo estava a loja Fotótica .Mesmo assim , não poucas vezes , o aluguel e as demais despesas eram pagos por meio de coletas entre os dirigentes e outros associados mais dedicados... Nesse mesmo mês , assembléia extraordinária elegeu nova diretoria: Presidente , Francisco B.M.Ferreira; Vice -presidente , Victor Caccurri Jr. ; 1º secretário, José Louzada F. Camargo; 2º Secretário, Randolfo Homem de Mello;1º Tesoureiro, Frederico Sommer Jr.;2º Tesoureiro Luis F. Lima;Diretor Técnico,José Medina; Diretor de Publicidade,Eugenio Woods Lacerda e Diretor de Excursões , José V.E.Yalenti. Coube-lhe a ingente tarefa de manter o clube em atividade.
“Para os grandes males, grandes remédios”... diz o ditado popular. E assim pensando, como meio para atrair a atenção dos aficionados , da imprensa e do público em geral, para a fotografia e para o clube, a Diretoria lançou-se à realização do 1º Salão Paulista de Arte Fotográfica. Apesar da denominação, teria âmbito nacional. Mas somente em 1942 a idéia seria concretizada. Nesse ínterim , várias alterações ocorreram na Diretoria, que continuava presidida por Francisco B.M.Ferreria ( O Chiquito) .Para a Vice-presidência, foi Lauro Maia, 1º secretário
,Ângelo Waldomiro Moretti; Diretor de excurções,José V.E. Yalenti e Diretor de Publicidade, Plinio Silveira Mendes. Conquistou-se a adesão do grande Prefeito Dr. Francisco Prestes Maia e seus Secretários Dr. Francisco Patti, da Cultura, e Dr. Cristiano Ribeiro da Luz, de Obras. Para a exposição obteve-se o “Salão Almeida Júnior”, na Galeria Prestes Maia, nos baixos do Viaduto do Chá, na Praça do Patriarca. A Prefeitura apoiaria o Salão também com a impressão do seu catálogo.
O Salão foi ,finalmente, inaugurado a 3 de outubro de 1942, com amplo sucesso. Além das fotos nacionais, pela primeira vez no país se exibiam, “ao vivo”, fotografia de autores estrangeiros: na seção “Boa Vizinhança”(fora do concurso) ,especialmente convidados, artista fotógrafos argentinos, dos Foto Clubes de Concórdia e de Rosário, com os quais o Bandeirante iniciara intenso intercâmbio.
O Júri do salão ,composto por Adhemar Queiroz de Morais, Antenor Liberato de Macedo, Benedito J. Duarte, Benedito B.Barreto(Blemonte) e Carlos Vieria de Carvalho, conferiu o 1º prêmio a um belo duplo-retrato de um casal de anciões (“Mascaras da Velhice”) de autoria do profissional Hejos( Henri Joseph) ; o 2º prêmio coube a Kasys Vosylius, do Rio de Janeiro; o 3º prêmio, a Raul dos Santos Carvalho, também do Rio; o 4º a Jorge Bittar, e o 5º a Herman Binder, ambos de São Paulo.” Menções Honrosas “ foram concebidas a Kazys Voslius, Hermes Cardoso e Ely A. Germano, (ambos de Curitiba) ,Max H.Wirth ,de Guararapes, e Thomas J.Farkas, Luiz F..Lima,Eduardo Salvatore,Lauro Maia ,Guilherme Malfatti,Plinio S.Mendes e José V.E.Yalenti, todos de São Paulo.
A repercussão desse primeiro salão foi enorme, e na verdade , ele veio consolidar a posição do Bandeirante. Seu quadro social aumentou e ele pode dar inicio, com mais tranqüilidade , aos empreendimentos que haveriam de projetar o seu nome no cenário fotográfico mundial.
Na assembléia geral realizada no fim desse ano foi eleito presidente, Eduardo P.P.Salvatore, que iniciou sua gestão em janeiro de 1943.Além de dar maior ritmo as atividades internas, incrementou a participação dos bandeirantes aos principais salões realizados no estrangeiro, onde principiaram a conquistar inúmeros prêmios.
O 2º Salão , ainda nacional ,mas trazendo na Seção “Boa Vizinhança”os autores dos Foto de Concórdia e Rosário, da Argentina, e o Foto Clube Uruguaio, de Montevidéu , Uruguai, realizou-se em novembro de 1943.Ele trouxe outra novidade: também pela primeira vez no país ,os fotógrafos profissionais da nossa imprensa, filiados a
Associação Paulista de Imprensa, puderam exibir seus trabalhos no “Estande Dr. José Maria Lisboa Jr.”,em homenagem a esse insigne jornalista.
Animados com o êxito desse salão, os “bandeirantes” não tiveram duvidas: não obstante a guerra que se alastrava, deram ao 3º Salão(novembro de 1944) âmbito internacional de oito países ,entre eles os Estados Unidos da América do Norte e a Inglaterra .Dai por diante, o Salão seria sempre internacional.
Em 1945 amplia-se o Clube com a adesão de importante grupo de cineastas amadores. Cria-se o Departamento de Cinema,sob a direção de Jean Jurre Roos que. ao falecer , foi substituído por Jean Decoq.O clube altera seu estatuto, e passa a denominar-se FOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE . A sede da rua São Bento tornou-se acanhada...
Contando na administração com um grupo de associados extremamente dedicados ,como Plínio S.Mendes ,José V.E. Yalenti, Ângelo F.Nuti ,Fernando Palmério ,Maio Fiori ,José Galdão,Arnaldo Machado Florence , Lindau Martins, Maio José Jorge ,Gaspar Gasparian Antonio da Silva Victor ,Manoel Morales Filho,e outros ,- todos eles excelentes fotógrafos o FCCB surpreendeu o mundo fotográfico em 1949,com a aquisição de uma ampla sede própria, à Rua Avanhandava 316. Foi o primeiro foto - clube do mundo a lograr tal feito ,sem qualquer auxilio oficial.( Alias ,nunca teve)...
O “Bandeirante” pode , assim incrementar ainda mais suas atividades: instala os primeiros cursos de fotografia e cinema que se realizaram no país; promove os primeiros Festivais Nacionais e Internacionais de Cinema Amador; o Boletim Informativo (criado em 1946) na revista “Foto cine”; realiza exposições com renomados autores do país e do estrangeiro , seminários ,debates ,palestras , etc...
Sob sua inspiração e orientação , vários outros foto-clubes se organizaram no interior do Estado e em outros Estados do Brasil. Em dezembro de 1950 ,promove a 1º Convenção Nacional de Arte Fotográfica, reunindo delegações de todos os foto - clubes então existentes. Presidiu - a o veterano Dr. João Nogueira Borges, Presidente - Perpétuo do Foto Clube Brasileiro. Dentre outra inúmeras resoluções destinadas à maior divulgação e aperfeiçoamento da arte fotográfica ,dessa convenção resultou a fundação da Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema, que passou a representar o Brasil na “Federation Internationale de l”Art Photographique - FIAP .
Pouco antes,pela lei Estadual nº 839 , de 14 de novembro de 1950, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo havia declarado o Foto Cine Clube Bandeirante “Entidade de Utilidade Pública”.
Com o correr dos anos, também a sede da Rua Avanhandava se tornou pequena. E, em 1970, repetindo o feito anterior, o clube adquiriu outra, maior e mais confortável, a atual sede a rua José Getúlio,442, onde se prossegue em suas atividades . Destacados artistas-fotógrafos e dirigentes de foto clubes estrangeiros que a visitaram , entre os quais o Dr. Maurice Van de Wyer , fundador e Presidente de Honra da “Federacion Internationale de l’Art Photographique”, a consideram-na uma das melhores e mais bem aparelhadas do mundo.
“Antes e Depois do Bandeirante”
Evidentemente, todas essas realizações granjearam grande prestígio para o Foto Cine Clube Bandeirante. Seu maior renome adveio , porém ,das novas concepções que trouxe para a fotografia artística brasileira,sendo equiparado aos grandes grupos fotográficos renovadores de outros, como por exemplo o “Fotoform”,na Alemanha, o”Bussola”na Itália; o “ Grupo dos XV”na França ;o “La Ventana”no México.
Com efeito, ao ser fundado o Foto Cine Clube Bandeirante, em 1939, na fotografia brasileira, como alias , na grande maioria das sociedades fotográficas,salões e exposições de todo o mundo,ainda prevaleciam os conceitos clássicos e os processos de nominados “artisticos”,como o bromóleo, goma-bicromatada, carbro,etc.Éra o “pictorialismo”, grandemente influenciado pela pintura acadêmica: as paisagens em meio tons, suaves; a natureza morta; os retratos de velhos barbudos... que tinha seu grande arauto na “Photographic Societ of América - PSA “e no Brasil , o Foto Clube Brasileiro, com João Nogueira Borges, Herminia Nogueira Borges, Guerra Duval, Djalma Gaudio, Jayme H.Távora,Bellini de Andrade e outros.
Em São Paulo, no Bandeirante, eram expoentes dessa “escola”,entre outros, Valencio de Barros, Heitor de Assis Pacheco,Carlos Quirino Simões, Ismael Alberto de Souza, Guilherme Malfatti, Waldomiro Moretti, Domingos Busnelli,Claudio Pugliesi, Henri E.Laurent,Plinio S.Mendes...O “Pictorialismo”fotógrafo prevaleceu nos dois primeiros salões.
Mas , a partir do terceiro , em 1943 , mais precisamente a partir de 1945 e nas décadas de 50/60 , instigados por Yalenti, Salvatore e Benedito J. Duarte, os bandeirantes se lançaram à experimentação renovadora e modernizadora. A
pesquisa, o estudo e o aproveitamento dos efeitos de luz, desde a luz lateral, os seus contrastes e o contra -luz total,levaram a uma sintetização e simplificação cada vez mais acentuada das linhas e formas geométricas . É a fase da “fotografia arquitetônica”( Yalenti, Salvatore, Thomas J.Farkas, Gertudes Altschull...) explorando as linhas, os planos, os detalhes dos modernos edifícios e que , através de processos como o “alto contraste”, a “solarização”e o uso do papel brilhante (antes banido das exposições fotográficas ) logo evoluiu para o “abstracionismo”, o “concretismo” o “grafismo”, com Marcél Giró, Geraldo de Barros, Rubens Teixeira Scavone, Ademar Manarini, Willian Brigato, Emil Issa , e outros.
De outro lado, porém , o “surrealismo’compada com Roberto Yoshida ( o mestre do “table- top”e da fotomontagem”) , German Lorca, Moacir Moreira, Alfio Trovato e também Gertudes Altschull( perita na “separação de tons”e na solarização )...A fotografia “Subjetiva”e o “néo-realismo”também tinham vez com Ivo Ferreira da Silva, Dulce Carneiro, Jacob Polacow, Kazuo Kahawara, M.Laert Dias, Camilo Joan, Nelson Peterlini... O “movimento”se descongelava nas fotografias de Raul Chama, Arnaldo Machado Florence, João B. Nave Filho; o retrato e a figura humana ganhavam conotações “expressionistas” com Francisco Albuquerque, Aldo de Souza Lima, Tufy Kanji, Raul Eitelberg... As cenas e os personagens anônimos da grande cidade tinham seus intérpretes nos flagrantes de Júlio Agostinelli, Eduardo Ayrosa, Antônio da Silva Victor, João Minharro... A própria paisagem e a natureza morta ganharam novos enfoques com Carlos Comelli, Nelson Nelson S. Rodrigues, Ludovico Mungioli, Luis Vaccari, Takashi Kumagai, José Galdão , Gaspar Gasparian... E Herros Cappello revolucionaria a fotografia em cores com processos próprios e originais, alterando a seu bel prazer as cores originais dos objetos,solarizando os negativos em cores e fazendo fotografia colorida partindo de negativos branco e preto, numa primazia mundial...
Foram os anos da grande ruptura na fotografia nacional , buscando novas formas de expressão e uma linguagem mais específica para a fotografia, provocando até a conversão de renitentes acadêmicos como por exemplo , José Oiticica Filho, até então o artista-fotógrafo brasileiro mais premiado em certames fotográficos no país e no estrangeiro. Com suas “recriações”,Oiticica veio engrossar a corrente abstracionista e concretista que teve no seu ápice em 1965, quando o Foto Cine Clube Bandeirante obteve da VIII Bienal de Arte Moderna a criação de uma sala especialmente dedicada à fotografia.
Todos esses “ismos” e os que os sucederam como o “supra-realismo”, a “arte-pop”,”op “,etc; encontravam guardia e duelavam no Bandeirante através dos seus concursos internos, seminários, salões, artigos na revista Foto- Cine, tornando-o o grande foro de debates da fotografia brasileira.
Também no setor de cinema o clube revelou grandes cineastas, entre eles , Benedito J. Duarte que se tornaria um nome internacional no documentário médico-ciêntifico; Geraldo Junqueira de Oliveira, Thomas J. Farkas, Cézar Yasbeck, Estanislau Szakowski, Abrão Berman...
Com todo esse movimento, começaram , finalmente , a cair as barreiras que se opunham à fotografia artística; os críticos de arte passaram a olha-la com maior atenção; os museus e as galerias de arte principiaram a se abrir para ela...
Hoje em dia conquistou definitivamente o seu lugar ao lado das demais artes; um lugar próprio, com uma linguagem cada vez mais específica, muitas vezes influenciando as demais artes, numa verdadeira inversão de posições.
Más , quando o historiador fizer a analise da evolução da fotografia no Brasil, certamente haverá de dividi-la , como já fez abalizado crítico de arte, em dois períodos perfeitamente definidos: “Antes e depois do Bandeirante”.
Entrementes, continuou o FCCB em seu labor cotidiano, formando novos valores, amadores e profissionais , que hoje honram a fotografia nacional em seus múltiplos campos de atividade. Muitos dos nomes atras citados já estão falecidos . Mas outros “bandeirantes”os sucederam , sempre trazendo novas idéias, novos temas, novos estilos: Newton Chaves,Linneo Cordeiro (macro- fotografia) ,Alberto Siuffi,Mecenas Salles, Arsenio Hypolito Jr. ,Magdalena Schwartz, Fernando G. Barros, Alice A. Kanji, Carlos Sacramento, Vittorio Graziano, Cláudio Feliciano, Dorival Rizzatto, Hoover A .Sampaio, Narbal Knabben...e mais recentemente , Roberto Scherer, Margherita F. Ducco ,Dácio Burjato Jr., Amaury Sabino, Tadeu J.Cruz,Ernesto Tarnoczy, Oldemar Mattiazzo,Cintia Amaro,Fernando Durão,Oswaldo Flosi,Pedro Mandorino , Antonio J.Cury , José Dortéia da Silva ,Ivo A. Fuckner,Francisco A.Salgado, e muitos outros , dando uma contribuição das mais valiosas para o desenvolvimento da fotografia brasileira e sua presença nos maiores eventos fotográficos de todo o mundo.
O Bandeirante mantém , porém a mesma fé , a mesma firmeza, os mesmos ideais que animaram os seus fundadores e os que os sucederam e o guindaram à posição de renome e prestigio que detém nos meios fotográficos internacionais; contribuindo através da fotografia , para a difusão e a elevação da arte e da cultura; levando a todos os rincões do mundo a mensagem de paz e de amizade dos artistas - fotógrafos brasileiros.
Após a saída da presidência da Diretoria do Sr. Eduardo Salvatore(hoje presidente do conselho deliberativo), o clube teve mais três presidentes : Luiz Carlos Nogueira, Rodrigo Whitaker Salles e Valdir Peyceré que continuaram seu trabalho desenvolvendo a arte fotográfica , através de exposições e concursos , como por exemplo o Entre Mulheres ,Exposição no AS Studio, Espaço Citibank , Museu Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo , Um olhar sobre 59 anos, New Orleans , Um novo olhar,etc..
Em março de 1997 foi vendida a velha Sede à R. José Getúlio e a mudança para o novo endereço ,em local mais apropriado às necessidades atuais ,à R. Augusta 1108,no início de 1998.Em maio de 1998 assume a presidência o fotógrafo Henrique Heinsich e inicia uma fase de reformas nas atividades do clube, e a exposição “Um novo olhar’ na Photobrazil’98.
Em Maio de 1999, assume a presidência o Sr. Raul Feitosa que inicia uma nova fase com diversas atividades para o clube, com 17 exposições fotográficas em 2 anos e mais de 40 cursos voltados a todas as áreas da fotografia.
A partir de Fevereiro de 2003 José Luiz Pedro assume a presidência do clube dando continuidade nas diversas atividades e ampliando as parceria com diversos setores da sociedade.
Atualmente ministra cursos de Fotografia, Workshops, palestras e dispõe de laboratório , Estúdio tudo para utilização de sócios ou não sócios (aluguel), mediante taxa de uso .Sócios dispõe de descontos especiais em todas as atividades ministradas nas dependências do Clube. Cursos, exposições, mostras, alem de contar com equipamentos a disposição de interessados a ingressar na área fotográfica , pois estas são as principais atividades às quais o FCC BANDEIRANTE vêm se dedicando com afinco.
O FCC Bandeirante é sócio fundador da Confederação Brasileira de Fotografia.