Associação Fotográfica da Região de Canoinhas - Afoca

Sede: Canoinhas/SC

E-mail: afoca-sc@hotmail.com

História

Fundação: 14 de novembro de 2008

A Associação Fotográfica da Região de Canoinhas (Afoca) com sede no município de Canoinhas, estado de Santa Catarina foi fundado no dia 14 de novembro de 2008. Com intuito de disseminar a arte da fotografia na região norte de Santa Catarina e sul do Paraná.
A Afoca compreende os municípios de Mafra, Três Barras, Canoinhas, Bela Vista do Toldo, Irineópolis e Porto União no estado de Santa Catarina e ainda União da Vitória, São Mateus do Sul, Paula Freitas no estado do Paraná. Suprindo uma necessidade da cultura fotográfica que existia na região.
Realizar discussões, palestras, seminários e outros eventos relacionados com a arte da fotográfica são o objetivo principal da Afoca, trazer para as populações dos municípios que abrange a associação um melhor conhecimento na área fotográfica.
As belas paisagens interioranas predominam na região da Afoca, dando chance para grandes fotos e grandes fotógrafos.

Diretoria

Carlos Eduardo Vipievski
Presidente
Concursos & Salões Fotográficos
1º Concurso Fotográfico A.F.O.C.A

Inscrições de 2 de fevereiro a 2 de março de 2009. +info


Historia do Município de Canoinhas – Santa Catarina

Informado por: Fernando Tokarski

Um dos assuntos mais polêmicos diz respeito ao topônimo ‘Santa Cruz de Canoinhas’, tido como a primeira denominação do lugar. Na verdade, o primeiro nome do lugar era mesmo apenas ‘Canoinhas’, apropriado do rio que lhe empresta essa designação. O termo ‘Santa Cruz de Canoinhas’ só apareceu após 1895 quando, segundo a tradição, o fundador Francisco de Paula Pereira, na presença do padre jesuíta João Maria Cybeo, ergueu uma cruz no ponto mais alto e mais próximo ao povoado, originando, então, a capela do lugar.
Convém ressaltar que quatro anos antes, isto é, em 1891, toda a região, incluindo Canoinhas, foi assolada pela maior enchente da história regional. Foi o que levou Paula Pereira a mudar sua casa para longe do rio Canoinhas, transferindo-a para as proximidades da atual praça Lauro Müller. Ao mesmo tempo, seguindo os costumes, o fundador procurou o lugar mais alto para a edificação da igreja do povoado, que era, de acordo com a tradição, acompanhada do cemitério. Assim, por longos anos, o cemitério de Canoinhas ali funcionou até 1932 e a igreja persistiu até 1945, quando foi destruída por um incêndio acidental da edificação do cruzeiro, no lugar mais elevado do povoado, é que provavelmente advém a lenda de que, se um dia a cruz desaparecer, o nível das águas do rio Canoinhas vai subir tanto, ‘engolindo’ a cidade, o que nos parece bastante óbvio, considerando-se que a enchente de 1891 foi catastrófica, bem superior às de 1911, 1935, 1983 e 1992.
Também é interessante observar que mesmo após 1902, quando foi criado o distrito de Santa Cruz de Canoinhas, ainda assim, na maioria dos documentos e no uso popular, a denominação continuou sendo apenas ‘Canoinhas’. Quando o distrito passou a município, o nome simplificado persistiu. Ao mesmo tempo, o lugar ‘Santa Cruz’, no atual município de Porto União, recebeu o apêndice de ‘do Timbó’ para diferenciá-lo de ‘Santa Cruz de Canoinhas’, que era uma designação oficial.
Há uma versão muito difundida, justificando que a toponímia ‘Canoinhas’ provém do rio, assim chamado porque, segundo essa versão, os primeiros moradores aí chegaram usando pequenas canoas ou canoinhas. No entanto, tal afirmativa não encontra base histórica. Mapas do século 18 (1723 e 1749) já indicavam o rio Canoinhas com o nome de Canoges Mirim, derivado do hispano-tupi, que literalmente quer dizer canoas pequenas, ou seja, canoinhas. A designação é um diferencial em relação ao Canoges, isto é, o Rio Canoas, que atravessa os Campos Gerais, mais ao sul, na região de Lages. Assim se vê que o topônimo Canoinhas nada tem a ver com pequenos veículos de navegação, as canoinhas. Além do mais, ao contrário do que se afirma, o meio mais usual de transporte naquela época era a tração animal. Nossos colonizadores aqui aportaram através do lombo de burros. Na região, a navegação motorizada é posterior à fundação da vila de Canoinhas.
Além disso, a designação é anterior à efetiva presença dos primeiros homens brancos à região. Outras denominações dos mesmos mapas indicam que o Rio Canoinhas já se chamou Itapeba, outro vocábulo indígena e que pode ser traduzido para pedra rasa ou pedra baixa. O termo provavelmente alude ao único e pequeno salto do rio, hoje localizado nos limites entre os municípios de Major Vieira e Papanduva.
Outra questão que deve ser discutida diz respeito à colonização do município. Alguns textos didáticos assim informavam e é voz corrente nas escolas, que o fundador do município, ou seja, seu primeiro morador, foi Francisco de Paula Pereira. Comprovadamente tal informação não é verdadeira, pois quando Paula Pereira aqui chegou em 1888, o sertão do Contestado, incluindo o território de Canoinhas, era bastante povoado. Quando muito, Paula Pereira pode ser visto como fundador do povoado de Canoinhas. Não o primeiro morador do município. Basta ver que entre as cidades mais próximas, a presença de colonos em Rio Negro é anterior a 1820 e União da Vitória foi fundada em 1842. A Estrada da Mata, que atravessava o território de Canoinhas, é de 1730, ou seja, 158 anos antes da chegada de Paula Pereira. Nesse período, muitas famílias se internaram pelo sertão, constituindo-se nos primeiros moradores da região. Há registros de pessoas aqui nascidas antes de 1870, pelo menos, isto é, 17 anos antes da vinda do fundador do povoado. Antes da presença de Paula Pereira, eram conhecidos lugares como Volta Grande, Piedade, Boa Vista, Paciência, Campina dos Santos, Pardos, Três Barras, Bugre, Tigre, Imbuia, Arroio Fundo, Rio Bonito, Toldo e tantos outros.
Além dos questionamentos acerca do papel de Francisco de Paula Pereira na fundação do povoado de Canoinhas, ainda é uma incógnita a participação de um tal Joaquim Branco nos primeiros dias do lugar. Provavelmente egresso de Lapa (PR), Branco vivia em Canoinhas, onde se internara fugindo da justiça. Neste aspecto, não há nenhuma novidade, uma vez que a presença de colonizadores provenientes de Lapa foi maciça em Canoinhas, lembrando ainda que naquela época a área, então contestada, estava sob jurisdição do Paraná. Também não é novidade a presença de um fugitivo da justiça nestas paragens, uma vez que o território era ‘terra de ninguém’, facilitando a guarida a toda sorte de criminosos, perseguidos de revoluções e gente que apenas queria ‘desaparecer’. O fato é que Branco, talvez por ser um foragido da justiça, foi ‘banido’ da história de Canoinhas, embora esteja entre os fundadores do povoado. Dele nada se sabe, nem que fim levou. Não foram encontrados registros sobre o seu paradeiro. O fato é que não morreu em Canoinhas.

Guerra do Contestado

Canoinhas foi o epicentro bélico na Guerra do Contestado, a vila foi assediada mais de 20 vezes pelos revoltosos. Nenhuma outra cidade da região conflagrada sofreu tantos ataques, mesmo que muitos deles tenham sido inconseqüentes. Enquanto a população da vila não passava de 500 pessoas, Canoinhas chegou a receber mais de 2.000 soldados. Deve-se dizer que os ataques à vila tinham grande cunho político, uma vez que Canoinhas era o centro nevrálgico da corrente que proclamava a ‘catarinização’ regional, enquanto cidades como União da Vitória preferiam a ‘paranização’. Líderes como Antônio Tavares, pessoas influentes na vila, aderiram ao movimento revoltoso em função disso. Tavares acusava os líderes governistas locais, todos paranaenses, incluindo o prefeito Manoel Tomás Vieira, de estarem cooptados aos interesses do Paraná. Foi assim que Tavares conseguiu a adesão de Aleixo Gonçalves de Lima, Bonifácio José dos Santos, o ‘Bonifácio Papudo’, e do vereador Miguel Pereira dos Santos.

No primeiro ataque efetivo à vila, produzido na madrugada de 15 de julho de 1914, cerva de 500 homens atacaram a vila. Os primeiros tiros partiram justamente dos lados da igreja, mas as trincheiras localizadas nas proximidades da atual praça Osvaldo de Oliveira também forma fustigadas pelo fogo dos revoltosos. O tiroteio durou até o clarear do dia, enquanto a vila era defendida por 200 soldados do Exército, da polícia e civis. Com o amanhecer, os atacantes se retiraram. Conta-se que perderam cerca de 35 homens, enquanto as baixas entre os defensores não passaram de três. Carroções foram encontrados além da igreja, cheios de marcas de sangue. Acreditou-se que se destinavam a levar armamento e munições, caso o ataque fosse bem sucedido. Dali em diante, várias vezes e por dias seguidos, a vila foi atacada.
O último combate ocorreu em 23 de dezembro do mesmo ano, sem grandes conseqüências. Desta data em diante, com o declínio das operações revoltosas e a supremacia militar das forças de repressão, Canoinhas também foi palco de carnificinas, degolas e atrocidades praticadas pelo Exército e por vaqueanos acobertados por oficiais.
Muito antes da colonização do território de Canoinhas, incursões bandeirantes vasculharam a região conhecida como do "Sertão de Curitiba". A partir de 1768 expedições desceram os rios Iguaçu e Negro, palmilhando também os afluentes Canoinhas, Paciência e Timbó. A construção da Estrada da Mata, elo entre o Rio Grande do Sul e São Paulo para transporte de gado, ajudou na instalação de colonos no território de Canoinhas.
Nele os colonizadores encontraram os índios que o habitavam. Eram os Xokleng, até pouco tempo denominados Botocudos. Xokleng significa taipa de pedra e tais indígenas integravam o grupo tapuia, isto é, não falavam a língua tupi. Coletores e caçadores, os Xokleng eram seminômades e tinham na floresta de araucárias seu melhor habitat. Arredios e tendo seu espaço invadido pelos brancos, os Xokleng foram implacavelmente perseguidos pelos colonizadores que neles tinham apenas um inimigo e um empecilho na conquista territorial.
Quando os primeiros homens brancos vagaram pelo sertão, encontraram o rio Canoinhas com o nome indígena de Itapeba, o que quer dizer pedra rasa ou cachoeira baixa. É uma alusão ao único salto do rio, localizado na divisa dos municípios de Major Vieira e Papanduva. Mais tarde outros exploradores localizaram o mesmo rio com o topônimo hispano-indígena de Canoges Mirim, que literalmente significa canoas pequenas.
Esta referência é uma contrapartida ao rio Canoges, situado bem mais abaixo, nos campos de Lages e conhecido como Canoas. Do Canoges Mirim é que provém o nome Canoinhas, denominação que prevaleceu e que depois originou ao povoado do mesmo nome. Esta é a versão mais provável a respeito da origem da toponímia Canoinhas, uma vez que bem antes da colonização branca invadir o território Xokleng, o rio já era conhecido por este nome.
Esparsos tropeiros gaúchos e paulistas já habitavam o interior de Canoinhas quando em 1888, egresso de São Bento do Sul, o agricultor Francisco de Paula Pereira instalou-se à beira do Canoinhas, perto da foz do rio Água Verde. Ele é considerado o fundador do povoado de Canoinhas, que logo em seguida passou a ser conhecido como Santa Cruz de Canoinhas.
Foi nessa condição que em 1902 o lugar foi elevado a distrito judiciário de Curitibanos, embora se encontrasse em área contestada pelo Paraná e Santa Catarina, que disputavam a posse do território. A erva-mate e depois a madeira eram sustentáculos da incipiente economia local e principalmente os interesses pelo domínio do território levaram o governo catarinense à criação do município de Santa Cruz de Canoinhas, o que ocorreu em 12 de setembro de 1911.
Entre 1912 e 1916, gerada por fatores sociais, políticos, econômicos e messiânicos, eclodiu na região a Guerra do Contestado. O município de Canoinhas foi envolvido no conflito, principalmente em 1914 e 1915, quando várias vezes a vila e povoados do interior foram atacados pelos revoltosos.
Depois desse período bélico Canoinhas alcançou uma fase de grande desenvolvimento, quando o município teve sua economia reativada pelo extrativismo vegetal da erva-mate e madeira. Esse ciclo durou até meados de 1940, quando entrou em franca decadência. Antes, ainda em 1923, em pleno período áureo de sua economia, o nome de Santa Cruz de Canoinhas foi alterado para Ouro Verde, numa alusão à principal riqueza do município. Porém, divergências políticas e religiosas locais determinaram que em 1930 esse nome fosse substituído e o município passou à denominação de Canoinhas, como era conhecido anteriormente.
Por questões históricas Canoinhas sempre teve íntima ligação com o Paraná e dele origina a maioria da colonização do município, desde as primeiras incursões ao território desconhecido. Nessa época é que afluíram caboclos paulistas, descendentes de portugueses e espanhóis. Foi apenas ao final do século XIX e no início deste é que vieram imigrantes europeus, sobretudo poloneses, ucranianos e alemães, geralmente migrados do Paraná. Os primeiros anos deste século também marcaram a chegada de sírio-libaneses e bem mais tarde, alguns italianos. Essas correntes migratórias é que colonizaram Canoinhas, dando-lhe feições de multiplicidade étnica.

Fernando Tokarski, professor e pesquisador de História Regional. Associado a Associação Fotográfica da Região de Canoinhas (Afoca).