
Sede: Canoinhas/SC
E-mail: afoca-sc@hotmail.com
A Associação Fotográfica da Região de Canoinhas
(Afoca) com sede no município de Canoinhas, estado de Santa Catarina
foi fundado no dia 14 de novembro de 2008. Com intuito de disseminar a
arte da fotografia na região norte de Santa Catarina e sul do Paraná.
A Afoca compreende os municípios de Mafra, Três Barras, Canoinhas,
Bela Vista do Toldo, Irineópolis e Porto União no estado
de Santa Catarina e ainda União da Vitória, São Mateus
do Sul, Paula Freitas no estado do Paraná. Suprindo uma necessidade
da cultura fotográfica que existia na região.
Realizar discussões, palestras, seminários e outros eventos
relacionados com a arte da fotográfica são o objetivo principal
da Afoca, trazer para as populações dos municípios
que abrange a associação um melhor conhecimento na área
fotográfica.
As belas paisagens interioranas predominam na região da Afoca, dando
chance para grandes fotos e grandes fotógrafos.


Um dos assuntos mais polêmicos diz respeito ao topônimo ‘Santa
Cruz de Canoinhas’, tido como a primeira denominação do
lugar. Na verdade, o primeiro nome do lugar era mesmo apenas ‘Canoinhas’,
apropriado do rio que lhe empresta essa designação. O termo ‘Santa
Cruz de Canoinhas’ só apareceu após 1895 quando, segundo
a tradição, o fundador Francisco de Paula Pereira, na presença
do padre jesuíta João Maria Cybeo, ergueu uma cruz no ponto mais
alto e mais próximo ao povoado, originando, então, a capela do
lugar.
Convém ressaltar que quatro anos antes, isto é, em 1891, toda
a região, incluindo Canoinhas, foi assolada pela maior enchente da história
regional. Foi o que levou Paula Pereira a mudar sua casa para longe do rio
Canoinhas, transferindo-a para as proximidades da atual praça Lauro
Müller. Ao mesmo tempo, seguindo os costumes, o fundador procurou o lugar
mais alto para a edificação da igreja do povoado, que era, de
acordo com a tradição, acompanhada do cemitério. Assim,
por longos anos, o cemitério de Canoinhas ali funcionou até 1932
e a igreja persistiu até 1945, quando foi destruída por um incêndio
acidental da edificação do cruzeiro, no lugar mais elevado do
povoado, é que provavelmente advém a lenda de que, se um dia
a cruz desaparecer, o nível das águas do rio Canoinhas vai subir
tanto, ‘engolindo’ a cidade, o que nos parece bastante óbvio,
considerando-se que a enchente de 1891 foi catastrófica, bem superior às
de 1911, 1935, 1983 e 1992.
Também é interessante observar que mesmo após 1902, quando
foi criado o distrito de Santa Cruz de Canoinhas, ainda assim, na maioria dos
documentos e no uso popular, a denominação continuou sendo apenas ‘Canoinhas’.
Quando o distrito passou a município, o nome simplificado persistiu.
Ao mesmo tempo, o lugar ‘Santa Cruz’, no atual município
de Porto União, recebeu o apêndice de ‘do Timbó’ para
diferenciá-lo de ‘Santa Cruz de Canoinhas’, que era uma
designação oficial.
Há uma versão muito difundida, justificando que a toponímia ‘Canoinhas’ provém
do rio, assim chamado porque, segundo essa versão, os primeiros moradores
aí chegaram usando pequenas canoas ou canoinhas. No entanto, tal afirmativa
não encontra base histórica. Mapas do século 18 (1723
e 1749) já indicavam o rio Canoinhas com o nome de Canoges Mirim, derivado
do hispano-tupi, que literalmente quer dizer canoas pequenas, ou seja, canoinhas.
A designação é um diferencial em relação
ao Canoges, isto é, o Rio Canoas, que atravessa os Campos Gerais, mais
ao sul, na região de Lages. Assim se vê que o topônimo Canoinhas
nada tem a ver com pequenos veículos de navegação, as
canoinhas. Além do mais, ao contrário do que se afirma, o meio
mais usual de transporte naquela época era a tração animal.
Nossos colonizadores aqui aportaram através do lombo de burros. Na região,
a navegação motorizada é posterior à fundação
da vila de Canoinhas.
Além disso, a designação é anterior à efetiva
presença dos primeiros homens brancos à região. Outras
denominações dos mesmos mapas indicam que o Rio Canoinhas já se
chamou Itapeba, outro vocábulo indígena e que pode ser traduzido
para pedra rasa ou pedra baixa. O termo provavelmente alude ao único
e pequeno salto do rio, hoje localizado nos limites entre os municípios
de Major Vieira e Papanduva.
Outra questão que deve ser discutida diz respeito à colonização
do município. Alguns textos didáticos assim informavam e é voz
corrente nas escolas, que o fundador do município, ou seja, seu primeiro
morador, foi Francisco de Paula Pereira. Comprovadamente tal informação
não é verdadeira, pois quando Paula Pereira aqui chegou em 1888,
o sertão do Contestado, incluindo o território de Canoinhas,
era bastante povoado. Quando muito, Paula Pereira pode ser visto como fundador
do povoado de Canoinhas. Não o primeiro morador do município.
Basta ver que entre as cidades mais próximas, a presença de colonos
em Rio Negro é anterior a 1820 e União da Vitória foi
fundada em 1842. A Estrada da Mata, que atravessava o território de
Canoinhas, é de 1730, ou seja, 158 anos antes da chegada de Paula Pereira.
Nesse período, muitas famílias se internaram pelo sertão,
constituindo-se nos primeiros moradores da região. Há registros
de pessoas aqui nascidas antes de 1870, pelo menos, isto é, 17 anos
antes da vinda do fundador do povoado. Antes da presença de Paula Pereira,
eram conhecidos lugares como Volta Grande, Piedade, Boa Vista, Paciência,
Campina dos Santos, Pardos, Três Barras, Bugre, Tigre, Imbuia, Arroio
Fundo, Rio Bonito, Toldo e tantos outros.
Além dos questionamentos acerca do papel de Francisco de Paula Pereira
na fundação do povoado de Canoinhas, ainda é uma incógnita
a participação de um tal Joaquim Branco nos primeiros dias do
lugar. Provavelmente egresso de Lapa (PR), Branco vivia em Canoinhas, onde
se internara fugindo da justiça. Neste aspecto, não há nenhuma
novidade, uma vez que a presença de colonizadores provenientes de Lapa
foi maciça em Canoinhas, lembrando ainda que naquela época a área,
então contestada, estava sob jurisdição do Paraná.
Também não é novidade a presença de um fugitivo
da justiça nestas paragens, uma vez que o território era ‘terra
de ninguém’, facilitando a guarida a toda sorte de criminosos,
perseguidos de revoluções e gente que apenas queria ‘desaparecer’.
O fato é que Branco, talvez por ser um foragido da justiça, foi ‘banido’ da
história de Canoinhas, embora esteja entre os fundadores do povoado.
Dele nada se sabe, nem que fim levou. Não foram encontrados registros
sobre o seu paradeiro. O fato é que não morreu em Canoinhas.
Guerra do Contestado
Canoinhas foi o epicentro bélico na Guerra do Contestado, a vila foi assediada mais de 20 vezes pelos revoltosos. Nenhuma outra cidade da região conflagrada sofreu tantos ataques, mesmo que muitos deles tenham sido inconseqüentes. Enquanto a população da vila não passava de 500 pessoas, Canoinhas chegou a receber mais de 2.000 soldados. Deve-se dizer que os ataques à vila tinham grande cunho político, uma vez que Canoinhas era o centro nevrálgico da corrente que proclamava a ‘catarinização’ regional, enquanto cidades como União da Vitória preferiam a ‘paranização’. Líderes como Antônio Tavares, pessoas influentes na vila, aderiram ao movimento revoltoso em função disso. Tavares acusava os líderes governistas locais, todos paranaenses, incluindo o prefeito Manoel Tomás Vieira, de estarem cooptados aos interesses do Paraná. Foi assim que Tavares conseguiu a adesão de Aleixo Gonçalves de Lima, Bonifácio José dos Santos, o ‘Bonifácio Papudo’, e do vereador Miguel Pereira dos Santos.

