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Foto Clube Espírito Santo
 
Endereço: Av. Governador Bley, 186 – 9º andar – conj. 908 – CEP 29010-902 - Vitória - ES
 
Utilidade Pública pelo Estado do Espírito Santo – Lei 643 de 26/08/52
Utilidade Pública pela Prefeitura de Vitória – Lei 208 de 02/10/51
 
 
 
 
[  Fundado em 23 de maio de 1946 ]
 

Fundado em 23 de maio de 1946 a partir do interesse comum de vários jovens por fotografia que freqüentavam uma loja de equipamentos e materiais fotográficos, o “Empório Capixaba”.
Entre estes entusiastas estavam Magid Saade, Pedro Fonseca, Érico Hauschild, Dolores Bucher, Ugo Musso, Décio Lírio, Finn Knudsen que organizaram uma exposição denominada I Exposição de Arte Fotográfica de Amadores, inaugurada em 25/12/1945 em uma loja da Praça Oito. Dessa experiência é que nasceu o Foto Clube do Espírito Santo, cuja primeira assembléia ocorreu em 23 de maio de 1946, numa sala do Edifício Centenário, na Praça Oito, onde funcionava o escritório da Cosmos Capitalização.
Compareceram 22 sócios fundadores: Afonso Schwab, Alcides Guimarães, Augusto de Aguiar Salles, Carlos Larica, Clóvis Loureiro Machado, Dante Michelini, Dolores Bucher, Érico Hausschield, Finn Knudesen, Guedes Júnior, Isauro Rodrigues, Jorge Bumachar, Jose Ceglias Barbosa, José Agostinho Pezenti Nalin, Luiz Edmundoo Malisek, Magid Saade, Manoel Martins Rodrigues, Mauro de Araújo Braga, Paulo Vasconcelos, Pedro Fonseca, Rodolfo Paulo Wolff e Vicente Burian.

A primeira diretoria ficou assim constituída:

Presidente – Érico Hauschild
Secretário – Magid Saade
Tesoureiro – Pedro Fonseca

As atividades do Foto Clube do Espírito Santo foram intensas. Criaram os Salões Capixabas de Arte Fotográfica com repercussões nacionais de 1948 a 1978.

 
Reunião de alguns dos associados do Foto Clube do Espírito Santo em 1953
Em pé: Erico Hauschild, Pedro Fonseca, Magid Saade, Ranolfo Gianordoli.
Sentados: a partir do segundo Dr. J. de Almeida Rebouças, Waldemar Reinders, Manoel Martins Rodrigues, Geraldo Calha e Mario Menezes.
 
 
 
Renato de Jesus
Presidente
Presidente - Renato de Jesus
Vice-Presidente - Celino de Souza Lima
Diretor Técnico - Magid Saade
 
 
 
Nós e a Fotografia
sinopse - por Magid Saade

Nosso interesse pela arte fotográfica começou em 1942. Na época as emulsões fotográficas eram em chapas de vidro e em películas rígidas ainda usadas pelos profissionais. As películas em rolo eram mais utilizadas pelos amadores.
A nossa câmara fotográfica - herdade - era da década de 1920 com o formato do negativo 6,5 x 11 cm, já considerada obsoleta devido ás máquinas menores com o formato 6 x 9 ou 6 x 6 cm, película em rolo para 8 ou 12 poses.
Em seguida surgiram câmara mais compactas utilizando películas em bobinas com a designação 135, formato do negativo 24 x 36 mm, com 12, 24 ou 36 poses. Todas as películas eram em preto e branco.
O enquadramento para a fotografia era através de visor acoplado à máquina fora do eixo da luz que atravessava a objetiva para gravar o retrato, resultando diferença entre o enquadramento visto e o gravado na película em fotos à curta distância. A "visada" através da objetiva faz com que o "visto" se enquadre perfeitamente na película.
Telêmetro e fotômetro eram acessórios pouco difundidos. Calculávamos a distância e seguíamos as tabelas dos prospectos das películas para a devida exposição.
Todas as fases do sistema eram operadas distinta e manualmente pelo fotógrafo. Com o acoplamento dos citados acessórios à máquina, devidamente sincronizados, ao se apertado o botão do disparo todo o sistema é acionado instantaneamente.
Quando não havia luminosidade ambiental suficiente para fotos usava-se aparelho que produzia clarão intenso e rápido para uma iluminação adequada obtida com lâmpada de múltiplos filamentos finos e entrelaçada que se incandesciavam à pequena carga elétrica produzida por pilhas - uma lâmpada por foto

II

O processamento das películas fotográficas era feito em laboratório de firma comercial que as revelava e fazia cópia direta.
Com, essas cópias eram feitas as seleções das fotos desejadas bem como os cortes necessários para melhor composição. Daí eram encomendadas as ampliações em tamanho e papel desejados.
Líamos sobre fotografia e traçávamos informações com outros amadores e também profissionais. Nesses contatos surgiu a idéia de se organizar exposição coletiva dos trabalhos de grupo.
A mostra foi levada a efeito em dezembro de 1045, em loja na Praça Oito, ponto de concentração de Vitória.
Pelo ineditismo e pela qualidade dos trabalhos apresentados o evento obteve grande sucesso.
Foi a partida para a fundação do Foto Clube do espírito Santo concretizada em 23 de maio de 1946, que contou com a adesão de outros idealistas.

III

Com a fundação do Foto Clube Espírito Santo passamos a processar pessoalmente as nossas películas "preto e branco".
Todo processo era artesanal.
Cada um preparava suas próprias soluções reveladoras e fixadoras para películas e papéis, separadamente, de acordo com as fórmulas recomendadas.
Toda a operação para revelação da película era feita em pequeno tanque hermeticamente vedado à luz. Era (o tanque) carregado em câmara totalmente escura. A cópia ou ampliação era em cômodo apropriado.
Tanto os produtos químicos para as soluções como os papéis para cópia ou ampliação eram adquiridos por intermédio do Foto Clube.
O prazer: ver o resultado de trabalho totalmente manipulado por nós, bem como a boa conversa em ambiente de camaradagem.

IV

O Foto Clube Espírito Santo, entidade artístico-cultural, é uma sociedade civil, sem qualquer finalidade de lucro, essencialmente amadorista, tem por finalidade incentivar a arte fotográfica em todos os seus aspectos e modalidades.
Seus diretores não percebem vantagem pecuniária sob qualquer título, sendo portanto gratuitos os seus mandatos.
Para a realização de seus fins mantém sede própria, laboratório técnico e biblioteca especializada.
Desde a sua fundação, em 23 de Maio de 1946, integramos a diretoria em diversas funções, inclusive a presidência no período de 31/01/1951 a 29/10/2002 - nesta fase foi adquirida a atual sede.
Participamos ativamente de todos os seus eventos.
Vinte e seis Salões Capixabas de Arte Fotográfica sendo os primeiros de âmbito nacional e os de 1958 a 1978 de cunho internacional, esses reconhecidos pela Federação Internacional de Arte Fotográfica (FIAP). Realizamos a I Exposição de Arte Fotográfica da Cidade de Guarapari em 1971, de cunho nacional.
Ministramos 45 cursos de iniciação à Arte Fotográfica.
Fizemos os mais variados concursos regionais e internos.
Passeios, excursões e reuniões sociais.
O FCES foi um dos fundadores da Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema (1950). Ocupamos cargos na diretoria, inclusive a vice-presidência.
Diversas vezes, por indicação, dirigimos várias Assembléias Gerais da Confederação, entre elas a de unificação da fotografia brasileira.
Fazíamos parte da Comissão Artística da Confederação.
O Foto Clube vinha participando de todas as Bienais de Arte Fotográfica Brasileira e sempre integrávamos a Comissão Julgadora.
Em 25 de maio de 1968, sob o patrocínio da Confederação, o Foto Clube promoveu em Vitória, a V Bienal de Arte Fotográfica Brasileira.
Com extensa programação, o evento contou com a participação e presença dos mais notáveis artistas da arte fotográfica brasileira de diversos Estados. Teve grande repercussão na sociedade artístico-cultural, com ampla divulgação pela imprensa.
O FCES, coletivamente, marcou presença em inúmeras mostras no país e no exterior com muitos trabalhos aceitos e diversas premiações.

V

Tivemos nossa primeira incursão à fotografia colorida em princípios de 1947 quando utilizamos película para cópia.
O processamento não era feito no Brasil. A filial do fabricante no país demorou meses para enviar a película para ser manipulada no exterior, sob a alegação para ter maior quantidade para envio. A película, entre outras amontoadas em cima do balcão sem qualquer proteção, só foi enviada no final do ano para a revelação e cópia.
Quando chegaram as fotos estavam descoloridas e os negativos fracos e avermelhados. Foi frustrante.
Mais ou menos em 1947, na residência de um companheiro, presenciamos a revelação de dispositivo em cores. Seria a primeira em Vitória. Foi um sucesso.
Na década de 1970, fizemos nova incursão no processamento de película para cópia colorida.
Encomendamos as soluções necessárias. Foi trabalhoso e praticamente improdutivo.
Adotamos o sistema mais prático. O material era entregue a uma firma especializada que o remetia, por malote, para o laboratório em outro Estado. Dois dias úteis depois à encomenda era recebida.
Surgiram as processadoras locais, com o serviço feito em 1 hora. De um bom resultado, passou a ser razoável. Piorou com o advento da "digital" devido ao descaso das processadoras com o sistema tradicional.
Mais um elo partido.

VI

A primeira câmara digital foi lançada em 1981 por uma indústria japonesa e chegava a custar 12.000 dólares. Era de resolução baixa.
Na década seguinte surgiram outras concorrentes e em 1997 saem as primeiras máquinas com maior resolução.
Devido ao grande interesse popular em todo mundo, as indústrias se lançaram na exploração comercial de seus produtos fomentando mais ainda a verdadeira epidemia na "sociedade de consumo".
O processamento para cópias deixava a desejar.
Está havendo evolução surpreendente devido à corrida por maior parte das indústrias, uma querendo superar as outras, máquinas de melhor resolução com maiores recursos, utilizando "cartões de memória" com maior capacidade.
O equipamento total, de boa qualidade e maiores recursos, ainda está caro, fora do alcance do amador comum. Ele tem que se sujeitar às casas processadoras - nem sempre com bons resultados.
Os profissionais devem equipar-se "digitalmente" para poder competir no mercado.
Estão noticiando novos "celulares" com super resolução e cartão de memória para 10.000 fotos. Parece exagero. Devemos ter cuidado com as notícias propagandistas - podem ser enganosas.

VII

O Foto Clube do Espírito Santo foi fundado por amadores idealistas, na era do fotoclubismo, e teve adesão imediata de outros entusiastas da arte fotográfica, surgindo grupo formado por pessoas da classe média amantes da arte fotográfica, de posições definidas em diversas profissões.
Quase todas as noites, nos reuníamos na residência de um dos companheiros, à Rua Antonio Aguirre, onde foi instalado precariamente o primeiro laboratório. Em seguida passamos a ocupar, em aluguel, a parte térrea de casa à Rua Duque de Caxias na qual instalamos, com a cooperação de todos, satisfatório laboratório para processamento de película preto e branco.
Começamos a crescer. Ali ministramos o primeiro Curso de iniciação a Arte Fotográfica. Era comum a casa ficar repleta, faltando às vezes espaço para os presentes. O ambiente era sadio, com boas palestras.
Começou o impulso do Foto Clube - excursões passeios e outras atividades sociais.
Em 1948, foi realizado o 1º Salão Capixaba de Artes Fotográficas com a participação de renomados artistas patrícios e contou com elementos do Foto Cine Clube Bandeirante. Foi nosso primeiro contato com os outros clubes.
Continuamos a nos aprimorar na técnica da arte fotográfica com o intenso intercambio com congêneres brasileiros e de diversos países através de Salões de Arte Fotográfica, participando e recebendo obras de arte em todas as suas expressões. Com isso difundimos nosso Estado e o Brasil.
Também concorreram para nossa "eterna aprendizagem" as obras de famosos mestres da pintura, que tanto inspiraram o foto amadorismo.
O fotoclubismo começou a perder suas forças por volta de 1980.
Com o fenecimento de nossos principais incentivadores começou a paralisação do FCES. Outros fatores são apontados pelos que não têm idealismo, esquecendo de que DOANDO É QUE SE RECEBE.
Apesar dos pesares, nossa sede ainda funciona em horário precário, e á mantido o laboratório para preto e branco em condições de funcionamento. O arquivo das fotografias dos sócios está em boas condições.

Fatores positivos que concorrem para a sobrevivência do FCES:

a) Espírito Clubístico,
b) Desprendimento,
c) Altruísmo,
d) Camaradagem.

O oposto:

a) Egoísmo,
b) Vaidade,
c) Inveja,
d) Ser aproveitador.

VIII

Não somos saudosistas. Reconhecemos que a "digital" já tomou corpo e forma.
Queremos usar fotografia como divertimento.
A fotografia não começa com o acionamento do botão de disparo do mecanismo da câmera. É iniciada com a percepção do tema e idealização da câmera. É iniciada com a percepção do tema e idealização da foto - enquadramento, iluminação e, se for o caso, combinar focagem com desfocagem, além de outros fatores que se fizerem necessários.
Queremos processar nossas películas dentro de nossas possibilidades. Trabalhar com película colorida ou com câmara digital requer investimento elevado em equipamentos. Ficamos sujeitos à firma especializada, nem sempre confiável.
Só nos resta brincar com "preto e branco", tendo a satisfação de fazer o que queremos.
Além disso, temos muitos negativos para serem processados.
Está ficando mais escasso o material para a manipulação das películas monocromáticas.

Recordamos. Vivemos.
Não sabemos o que vem.


Magid Saade
Foto Clube do Espírito Santo
Maio/2006
 
   
 
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